olhei para ela pelo retrovisor. tinha uma ou duas rugas no canto do olho, os óculos eram grossos e o cabelo curto mas bem arranjado. pergunto-me o que lhe teria acontecido para ficar assim. para ser tão rígida, tão segura de si mesma. nunca a vi chorar. nunca. era uma mulher do campo, forte e enrijecida pelo sol que apanhava no árduo trabalho. não me lembro dela de outra forma. acho que foram poucas as vezes que a vi rir ou sorrir sequer.
olhei pela janela e perdi-me nos pensamentos. o nevoeiro estava cerrado, só se vendo as casinhas que estavam à beira da estrada, o resto do mundo era branco. por vezes, gostava de ser assim tão segura de mim mesma.
(2008)