e cheguei ao ponto a que todos os que me conhecem desejavam firmemente eu não chegar mas que apesar de tudo sabiam no seu íntimo que isso, mais cedo ou mais tarde, teria que acontecer. tenho a cabeça demasiado pesada, e os lábios continuam a ser mordidos todas as noites para conter o choro que turva a visão. estou vazia, dos pés à cabeça, porque há dias em que simplesmente não vale a pena. às vezes não vale, porque alguém não disse que gostava de nós. e eu sei que isso não é tudo, mas quando não passa uma única música boa no caminho para casa, nota-se mais. depois de tudo, só consigo ter vergonha. vergonha perante as pessoas que viram isto acontecer comigo e não se sentiram bem em não poder fazer nada. vergonha perante todas as vezes em que lhes faltei, mesmo quando mais precisavam. vergonha por não conseguir sair da maldita situação em que me encontro e vergonha pela maneira a que lá fui parar. só tenho vergonha, porque de resto, já disse e repito, fiquei vazia.
"tens um sorriso enorme e sempre que olhavas para mim, sentia uma fábrica de borboletas no estômago e tinha vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo, porque sabes fazer-me a pessoa mais feliz do mundo."
a única mensagem no mundo que continuo a achar verdadeira, embora já tenha mais de três anos. nunca mais falei de ti e já nem o posso fazer porque já não te conheço, apenas sei falar da amizade que tinhamos. sinto a tua falta e se me perguntasses agora como eu estava, dava-te a resposta sincera que não tenho dado a ninguém. não estou bem, não estou nada bem. só para ouvir depois, vai ficar tudo bem. eu estou aqui, ao teu lado., e acreditar nisso. acreditar porque já não tenho mais nada onde me apoiar. e juro que se me aparecesses agora à frente, eu esqueceria estes dois anos em que nenhum de nós fez um esforço para não perdermos o que tinhamos. dré
há pessoas que estão sempre associadas na minha cabeça a outras. ou porque fazem um casal bonito, ou porque têm uma das melhores amizades com que já me deparara, ou simplesmente porque sim. com o tempo, essas pessoas acham novas pessoas, e o processo de associação repete-se. por mais bonito e por mais amor que tenha havido, vai chegar uma altura em que encontraremos outras pessoas. isso nunca nos parece possível, na altura, e pensamos sempre que mesmo que encontremos alguém lembraremo-nos sempre da outra pessoa. é certo. ainda me lembro do meu primeiro namorado, mas isso não quer dizer que queira voltar para ele. lembro-me, porque foi importante, mas mesmo assim é uma memória ténue. podemos achar-nos portadores das maiores injustiças do mundo, quando o amor acaba. podemos ficar mal e sentir-nos desiludidos, mas acaba sempre por passar.

é de 2009 e continuo a acreditar em tudo o que escrevi
disse-lhe que nunca iria saber como era ser ela. mas que sabia o que era querer morrer. como dói sorrir. como tentas encaixar-te mas simplesmente não consegues, como te magoas exteriormente para tentar matar a coisa interior.
tenho saudades tuas e não te quero dizer. tenho medo que fiques a saber a falta que me fazes. tenho medo que eu não te faça assim tanta falta.
amou-a vinte anos em silêncio, mas um dia ela pronunciou "lábios", "mijo" e "lixo" numa mesma frase. ele não gostou. pareceu-lhe porco, pareceu-lhe vil, injusto. que mulher horrenda, que desperdício de sentimento. e em vinte minutos desamou-a. que digo eu? em vinte segundos desamou-a para sempre. respirou fundo e retomou a vida.
sim, o amor é cego, mas quando vê, oh, meu deus, quando começa a ver..
nunca farás ninguém feliz. mas porque é que isto não vai dar certo? porque voces não estão apaixonados, tu não estás apaixonada por ele. a paixão cega as pessoas. a paixão é uma faixa que nos aperta os olhos. nunca farei ninguém feliz porque sou muito egoísta. porque guardo todas as emoções para mim. não consigo amar ninguém mais do que a mim mesma.
de repente ouvi o meu coração. quantas vezes já ouviste o teu coração? conta-las pelos dedos porque não te lembras ou porque foram realmente poucas. de repente doeu-me muito a barriga e a minha garganta ficou seca. isto não são clichés, e eu sei que tu sabes que não são, porque já sentiste esta sucessão de sentimentos, por esta mesma ordem. de repente descubro uma coisa que não quero, apesar de a adivinhar. de repente deixo de fazer a tarefa muito importante que estava a fazer e jamais me consigo concentrar nela porque vi aquelas imagens que eu não queria ver. de repente desejei vingança para depois descartar logo essa hipótese. porque não mereces, porque estás noutra, porque eu afinal não fui nada, porque tu só foste um movimento de coincidências que eu não queria ter gostado. de repente a minha sobrevivência escorreu das mãos de alguém e ficou presa algures. de repente.
ele insistia em perguntar o meu nome. mesmo depois de eu lhe explicar que não era preciso sabê-lo. mas ele não desistia e por isso articulou um discurso que defendia que tem que haver pelo menos um toque de verdade nos relacionamentos, mesmo que seja só o nome.
beatriz, inventei.
é terça-feira, foi um dia mau e nem que me ligasses a admitir que estavas errado e que tens saudades de falar comigo deixaria de o ser. tenho os lábios a sangrar, uma dor de cabeça que durou a tarde inteira e não há ninguém que me deseje boa noite. sim, estou longe de estar feliz.
zangar-me com alguém via telemóvel é a coisa mais frustrante que pode existir. ambos repletos de orgulho, vendo os dias passar, as coisas que ficam por dizer, os desencontros. tudo em vão. e depois, fico sentada na cama, esperando uma mensagem tua e nada. são nesses momentos que me apetece chorar e admitir que errei, mas, no entanto, espero que tu me mandes mensagem, sempre tu primeiro, dando o primeiro passo para esta reconciliação fútil que nos está sempre a acontecer.
foi ele que me deu a conhecer caetano veloso. diz que a sua música, Patrícia, foi escrita a pensar em mim e isso fazia-o perguntar-me muitas vezes se todas as patrícias eram assim. eu era, por isso acreditei que ele me conhecesse realmente bem. até que se apaixonou por mim e achou que eu não o magoaria. incrivel como as pessoas se enganam sempre a meu respeito.
ouvi a história de amor da minha avó. de como ela aceitou o pedido de namoro de um rapaz que conhecera no dia anterior, só para se vingar do seu antigo namorado que se andava a meter com todas as raparigas da aldeia e a partir-lhe o coração. se pelas mentalidades dessa geração, se pelo destino lhes ter reservado aquele encontro, o que é certo é que ela continua hoje casada com o mesmo homem com quem começou a namorar sem sequer conhecer. chamem-lhe amor à primeira vista.
não tenho mais energias para isto. para tanta falta de amor, abraços nos momentos certos, um sorriso mais fiel. sim, estou desiludida e já não consigo negar mais isso. a vida não foi como eu estava à espera e continuo a enganar-me com fogos de vista. eu não estou bem, não estou nada bem. não é estar triste, é estar incapacitada para mais. perplexa, sem braços e pernas.
chega um dia em que colocamos tudo em causa, isto porque o azar chegou em má altura. mas afinal há uma boa hora para ele chegar? não sei. não sei nada. adormeço todos os dias a pensar no dia em que estarei um pouco melhor. acordo sem a mínima vontade de assistir a aulas que já venceram a data de validade. tive os dias mais tristes, o nó no peito, a retoma dos comprimidos. mesmo assim, ainda penso: talvez ainda venhamos a ser felizes - impressionante a capacidade optimista do ser humano.
quero outra vida, outras pessoas, outro corpo, outra linha de raciocínio. permaneceriam apenas as minhas melhores amigas.
sou uma pessoa que nunca está satisfeita totalmente. há sempre um vazio a preencher. vivo constantemente numa corda bamba vertiginosa. coração nas mãos, alma desfeita. um dia haverá uma forma de nos esquecermos de tudo. de olharmos para sítios e não nos lembrarmos de pessoas importantes que por um motivo ou por outro já não existem nas nossas vidas. haverá forma de camuflar a tristeza. limpar as lágrimas apenas em momentos perfeitos.
se caíres no esquecimento, deixa-te ficar, porque sair de lá é como fugir de casa na véspera de natal. se te deixarem, não tentes correr atrás: sai, solta o cabelo e finge que nem reparaste que ninguém te ligou. as pessoas só amam aquilo que perdem. não voltes para ninguém, não perdoes, não esqueças. porque fazê-lo é como voltar para casa quando o natal acaba. inútil.
hoje queria uma praia só minha, um sol enorme no corpo e uma noite estrelada no céu. uma mensagem tua no meu telemóvel a dizer 'gosto mesmo muito de ti' e um prato de crepes acabados de fazer. a certeza de que, afinal e apesar de tudo, ainda há coisas boas que acontecem.
não sei porque gosto tanto de ti, se a tua lista de defeitos é maior que a de qualidades. se nunca me disseste nada que realmente valesse a pena. se nunca me acariciaste o rosto com verdadeira doçura. não sei porque demoro a adormecer, porque demoro a desistir de um fim que jamais terá início.