há dias muito bons e há dias muito maus. nos dias maus acho que não vou ter nunca mais dias bons. nos dias bons, sei bem que amanhã pode ser um dia mau.
lembro-me de um dia em que não estávamos entusiasmadas, porque a vida não nos andava a correr da melhor forma. ouvimos música em silêncio, e as únicas palavras proferidas foram de lamento, de tristeza. sentámo-nos, ausentes. lembro-me também que senti um vazio no peito - só mais um. estávamos assim porque saímos vitoriosas mas com o coração desfeito. rimos à gargalhada, escondemos o que a alma queria mostrar, sentimo-nos enredadas pelo pó da sorte, e no entanto, desiludidas, adormecemos a pensar nas pessoas que não nos deixavam dormir. connosco sempre foi assim.
o ponto fraco do ódio é o arrependimento. o ódio é um fraco conselheiro, limita-se a partir todos os espelhos da casa e a esperar que ninguém repare. o que é frequente, porque é mais um mecanismo de defesa do que de ataque - para alguns, uma necessidade. depois há quem prolongue o engano e há quem, com menos talento, o deixe quebrar-se. nem sempre o arrependimento surge a tempo e nunca é dócil. quando chega, chega lento corroendo como um ácido até ao osso. não há dor que mais doa do que a que se insinua fora de prazo.
quando todos os acidentes falham, resta seguir o plano, porque não parecendo, é do caos que nascem os maiores silêncios.
o acaso, que tanto nos tenta, é o santo padroeiro das oportunidades perdidas. não resiste a sublinhar a infinidade de possibilidades a cada passo e que, por cada singular opção, todas as perdas são possíveis. como rejeita a lógica mais caseira, o acaso proclama com orgulho: qualquer rua sem saída pode levar a qualquer lugar.
hoje senti-me feia e gorda. acontece muitas vezes?
é sempre quando estou deitada ao teu lado a olhar pela janela que acredito num futuro nosso. é aí que dizemos todas aquelas coisas em que nenhum dos dois acredita. falamos de casamento, quando eu não sou a favor dele, falamos de ter um apartamento para começar e dois filhos, um futebolista e uma quebra-corações. dizemos que a beleza sairá do pai e a inteligência da mãe. e depois eu agradeço-te, em silêncio, só por estares ali ao meu lado. no entanto, é nesse mesmo local que temos consciência que não acreditamos no que dizemos e é aí que eu sei que nunca te mudarei nem tu a mim. mas amor, eu amo-te. tanto. demasiado. sempre.
aprendi a gostar de CocoRosie, assim como aprendi a gostar de pastéis de feijão. mudei muita coisa em mim, passei a gostar de coisas para as quais nem conseguia olhar e a não gostar de outras para as quais olhei todos os dias. mudanças são boas. sempre foram, mesmo que sejam para pior. porque o pior é um ponto de perspectiva e há que associá-lo à necessidade. de qualquer forma, lembra-te que eu mudei muita coisa a meu respeito, mas tu terás sempre a porta aberta para voltares. se quiseres. era só isso, agora descansa meu amor.

cheguei tarde e sentei-me rapidamente, mas sem tirar os olhos do chão. nunca mais apareci - foi a única e última vez. envergonhou-me o facto de toda uma plateia olhar para mim por um mau motivo. cheguei a casa e tomei um banho tépido, adormeci num instante e acordei a meio da noite com muita muita fome. preciso de sair daqui.
ela despejou um monte de profecias enquanto os meus olhos se esbugalhavam. eu estava a tremer por dentro, como me acontece sempre. afinal tudo o que eu queria era um beijo do rapaz que eu amo. mais nada. não me interessa saber em que área vou trabalhar, se vou ainda passar por muitos mais maus momentos antes de virem os melhores. eu só quero um boa noite muito carinhoso, um abraço muito forte, as suas mãos na minha cintura, o sorriso muito divertido, um pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar recheado de calorias tudo no mesmo dia e aquela simples palavra, amo-te. mais nada, mais nada, mais nada.
almoçámos às cinco da tarde, eu e amigas. todas de coração destroçado, cada um à sua maneira. deparei-me com a realidade da pior maneira, mais uma vez. quando chego a casa e me vejo sozinha entre quatro paredes, sinto-me de novo mal. tomei um banho ao som de chico buarque e só consigo pensar que deveria ser tudo diferente. só queria que tudo se resolvesse, na verdade eu sonho com o dia em que tudo se resolve. mas nada se resolve. e eu vou aprendendo a desistir. não de nós, nunca poderia fazer isso, mas a desistir de um outro 'eu' que ainda por aqui vive dentro. ninguém deveria aprender a desistir, muito menos de si mesmos, mas hoje não vejo outra saída.
sinto falta de dias marinados de paixão; dias em que acordas e possuis uma certeza quase irrevogável de que o dia vai estar perfeito para um dia inteiro na praia; dias em que contas as semanas para a próxima festa de verão; dias em que percorres trilhos nas montanhas e cais na areia de tanto dançar. são saudades que me apertam o coração e me fazem querer saltar alguns meses à frente do ano.