lembro-me do netinho a cantar milla. a música entrava pela tua janela, infiltrava-se no escuro do quarto e fazia-me deitar lágrimas de felicidade. estávamos agarrados e lembro-me de pensar que seríamos felizes para sempre. cantávamos felizes, inebriados com o espírito do carnaval, sem preocupação alguma sem ser o que era real e se deparasse no momento. amei-te tanto m. foste tanto para mim que não sei se alguma vez chegámos a ser duas pessoas em vez de uma como éramos no meu pensamento. eu perdia-me em ti e tu em mim, embora saiba hoje que nunca foi saudável. sei que pensei demasiadas vezes que íamos sempre resolver os problemas e viver mais felizes do que o dia anterior. foi o m.? perguntavam-me. sim sim, mas já passa, respondia sempre com um sorriso. vivi metade dum ano a tentar resolver as nossas coisas. e tudo me parecia possível sabes? não havia discussão que não se resolvesse, não havia conversa que fosse em vão. sonhava tanto e na altura o que me parecia perfeito, parece-me agora tão sem sentido.. chorei de todas as vezes que viravas costas por não conseguires ser transparente e dizer as coisas que todas precisamos de ouvir. mas da última vez fui eu que virei costas. acredita que fui bem transparente e acredita também que não deixei nada por dizer que desta vezes fosses tu a precisar de ouvir.
no coração ficou, lembranças de nós dois.