fecho os olhos e é fácil lembrar-me de como ele guiava rápido demais. tinha sempre valete a tocar e um cheiro a erva já entranhado nos estofos. descobri hoje que as pessoas não são o que parecem ser e isso desiludiu-me mais do que eu achei possível. senti-me ridícula durante imenso tempo por sentir que ele achava-me a gostar dele e que tinha de deixar de o fazer. senti-me assim porque nunca gostei, nem nunca pensei em gostar, e queria que ele ganhasse consciência disso. sim, eu fui ridícula e agora sei que estava certa em sentir-me assim... mas pelas razões erradas. fui ridícula porque confiei, porque achei que ainda existem amizades e pessoas decentes. é... eu fecho os olhos e parece que é assim que ando a toda a hora: ceguinha, sem ver ponta dum corno de verdade alguma. otária.
houve um dia em que achei que até podia escrever um livro. hoje sei que não. isto porque as palavras se foram gastando, fui-me tornando cada vez mais chata e mais óbvia, e agora resumo-me a esperas de mensagens que nunca chegam e a relacionamentos que nunca começam.
cabeça leve do sono posto em dia e guias de viagens espalhados pela mesa de cabeceira. sei finalmente o que quero e essa é das melhores sensações que alguma vez podia ter pedido. os contactos de hostels acumulam-se e os orçamentos a preencher folhas e folhas continuam a aparecer. estou calma e sinto-me bem. tenho a cabeça leve, o sorriso leve, o coração leve e vivo com a leveza que toda a gente devia viver.