daquela vez foi diferente: adormeceu a achar que até era uma pessoa feliz, comparando-se com outras que conhecera ao longo da vida.
queria fazer ainda muita coisa que não sabia como, mas o que contava agora é que antes de dormir, eram pensamentos bons que a invadiam e aquela voz que lhe dizia que a amava, muito.
só agora, depois de ter chegado a casa, é que me apercebi do passo importante que tomei hoje. finalmente as coisas começam a ganhar forma e isso não deixa de ser perturbadoramente lindo.
como um relógio pendurado na parede, ela sabia que a hora tinha chegado. segurou-se firmemente no corrimão e jurou que nunca mais voltaria àquele lugar. a porta estava entreaberta e de lá provinha um cheiro adocicado, um aroma envolvente de amêndoa e caramelo. aquele lugar era bonito, mas ela sabia que para lá não podia voltar. nunca mais.
ok, é um erro. eu sei que é um erro mas há certas coisas na vida onde tu sabes que é um erro, mas não tens bem a certeza se é porque a única maneira de realmente saber se é um erro é fazê-lo, olhar para trás e dizer: yap, aquilo foi um erro. portanto, o maior erro seria não cometer esse erro, porque depois passariamos o resto das nossas vidas sem saber se aquilo seria um erro ou não.
(lily, himym)
ela deslocava-se lentamente por entre as mesas do café apinhado para conseguir chegar à rua. contornava-as com cuidado, não fosse bater em algo ou um cliente mais distraído chocar contra ela enquanto se virava para ir ao balcão. ela não falava com ele há mais de um mês e andou a tentar enganar-se, só a si mesma, com outra pessoa. quando chegou finalmente à rua, sentiu o telemóvel vibrar no bolso. era o outro, com quem ela firmemente tentava iludir-se. não lhe respondeu, afinal, aquela farsa já tinha sido descoberta e agora só se detinha a pensar que já fazia mais de um mês que recebera notícias de quem ela realmente queria saber. mesmo que tivesse uma pequena vontade de responder à mensagem, não conseguia pois as 725 mensagens já com um mês e uns dias dificultavam a vida ao pobre telemóvel. ainda pensou em apagá-las, assim todas de uma vez, mas ela nunca apagava sem saber o que lá estava contido, portanto detinha-se a lê-las e no final, era-lhe impossível desprender-se. compreenda-se, ela nunca gostou dele, mesmo agora que se apercebeu que tem saudades, não gosta dele. no fundo, só tem saudades, porque a farsa que andou a usar nestas últimas semanas foi abaixo e já não tem nada. compreenda-se, ela nunca irá gostar dele, mas ficará sempre mais satisfeita se pensar que gosta. e principalmente, que ele gosta também.