

como maior parte das pessoas que ela já conheceu, quer mais do que tem, quer especialmente o que não pode ter, quer especialmente pessoas. e enquanto se decidia se o queria, se iria cometer esse erro, mais um passo um falso, ele decidiu que não a queria. e isso, oh amor, eram os dados que faltavam no problema. passou a desejá-lo de corpo e alma. todas as noites. todos os dias.

odeio este sentimento de perda: perda dos dias quentes na praia, dos almoços tardios, da lista de desejos num papel de tabuleiro de café, das limonadas e laranjadas, dos dias inteiros sem horários, do rádio a tocar summertime pela Janis Joplin, dos passeios sem destino, do acordar e saber que ainda falta mais de um mês para abandonar esta realidade. summertime and the livin’ is easy

ainda me custa acreditar que crescemos e com o tempo a amizade foi-se perdendo um bocado na rotina. a vida aqui continua complicada. tenho as coisas da escola para acabar, a roupa espalhada pela cama todas as noites antes de dormir, as unhas para pintar de novo e mil e uma coisas para procurar porque o avô guardou e já não sabe onde estão.
às vezes com a rotina do dia não me lembro bem que nos fomos afastando, mas à noite vêm-me umas saudades que nem imaginas. "as piores saudades são as que temos das pessoas com quem estamos todos os dias", foste tu que me foste ensinando isso ao longo deste tempo e são sempre as boas lembranças que me deixam desesperada. não poder repetir uma coisa boa não faz sentido. uma só vez não chega.
serás sempre a melhor, hel.
