acabou da mesma forma que começou: do nada e sem eu me importar com isso. as coisas más trazem sempre coisas boas e tu, mais que qualquer relação que eu tenha tido, ensinaste-me neste último ano muito mais sobre mim do que eu aprendera noutros tipos de relações, noutros tempos. obrigada, obrigada, obrigada.
prometeram-me a felicidade naquela tarde em que saí de casa mais uma vez e para fazer as mesmas coisas de sempre. pareceu-me uma profecia barata mas decidi acreditar, e aos poucos fui idealizando uma vida que até hoje não me aconteceu
o verdadeiro problema dos mais carinhosos é que nunca pedem licença para nos foder. diz isto, apaga o cigarro, apanha o cabelo, volta a vestir o casaco de ganga - não porque esteja frio mas porque gosta de se ver com ele. beija-o nos lábios e sai. a noite ainda é uma criança.
voltaste. sem eu estar à espera, já estava novamente a ser levada para o nosso sítio do costume e a ter-te outra vez. voltaste. mas diferente. e eu deixei-me voltar diferente também. o teor da relação continua exatamente igual, mas nós não.. contraditório. a questão é: voltaste. e voltas sempre.
“E assim, aos poucos, ela esqueceu-se dos socos, pontapés e golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era alcoólica, mas também tem olhos de ressaca - levanta-se e segue em frente. Não por ser forte, mas sim pelo contrário: por saber que é fraca o suficiente para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que ainda vai chorar muitas vezes. Afinal, foi chorando que ela, tu e todos os outros, vieram ao mundo.”